Audiência Pública deve impulsionar investimentos em Biodigestores

2 meses atrás
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Audiência Pública virtual reuniu 160 pessoas na tarde desta segunda-feira (26) para debater o impacto na economia da propriedade rural, e o da preservação da água, com a instalação de biodigestores.

 

Promovido pela Frente Parlamentar da Matriz Produtiva dos Biodigestores da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o evento contou com a participação das secretarias estaduais de: Agricultura, Meio Ambiente, e Desenvolvimento Econômico. Além do secretário de Agricultura de Santa Catarina, Altair Silva, que falou sobre as experiências do estado utilizando o biogás como fonte de energia.

Defensora do meio ambiente e da busca de alternativas para renda extra ao produtor rural, a presidente da Frente Parlamentar e da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da ALRS, deputada Zilá Breitenbach, comemorou o sucesso da audiência, não apenas pelo número de participantes, mas pela representatividade do grupo de participantes e pelas informações trazidas, que se somam ao trabalho iniciado em 2018 e que já gera frutos.

“Conseguimos avançar com a lei 15377/2019, texto feito entre muitas mãos através do nosso grupo de trabalho criado para atuar junto com a Frente Parlamentar, incluindo o Biogás na Política Estadual, que antes tratava só do Biometano. Porém temos desafios, e por isto não dispersamos, e seguimos nos reunindo. Precisamos incentivar lá na ponta o produtor a investir em Biodigestores, para além dele ter uma renda extra, dar uma destinação correta para os dejetos animais e preservando assim o meio ambiente, em especial a água, como tratamos nesta tarde”, explica Zilá.

 

Linhas de crédito diferenciadas

Entre os desafios estão os custos para o produtor investir na tecnologia, além de toda questão da preocupação quanto ao manejo, para que o mesmo tenha eficiência. Santa Catarina, segundo o secretário Silva, possui Linhas de Créditos para instalação de biodigestores com projetos de até R$ 400 mil, a juros de 2,75% ao ano, sendo que 2,5% são subsidiados pelo estado.

A deputada Zilá, em conversa com a secretária estadual de Agricultura Silvana Covatti, que participou da audiência, reforçou a necessidade de replicar a medida no RS, apresentada desde o início das reuniões da Frente.

“O estado, através de suas secretarias afins – a secretária me confirmou – está formando um grupo de trabalho junto com Fóruns Temáticos, para criação de um programa para que as linhas de créditos sejam disponibilizadas”, enfatizou Zilá.

Silvana complementou “ vamos realizar este trabalho unindo os técnicos da secretaria com este grupo já organizado pela Frente, e pensamos em algo como o Pró Milho ou, o Mais Água mais Renda, para que este objetivo saia do papel e se torne realidade”. Este programa também deve debater como a Emater pode auxiliar na questão do manejo da tecnologia“.

 

Universidades e indústrias

Os professores da Univates, Odorico Konrad, e Adalberto Lovato da FAHOR, falaram sobre a importância da pesquisa e das Universidades no processo de criação de equipamentos para fazer o biodigestor, visto que hoje a maioria deles vem de fora do país. Um estímulo para a produção local, gerando também mais emprego e renda local.

Konrad chamou atenção para a necessidade de diversificação da matriz energética brasileira, alertando para a necessidade de se investir mais em projetos sustentáveis e energias renováveis, e para a sustentabilidade dos próprios projetos.

Lovato alertou para as normas técnicas que estão sendo elaboradas para a criação de biodigestores (ISO 24252), demonstrando preocupação quanto ao custo da fabricação dos mesmos, que pode aumentar em decorrência das novas normativas, e por isto sugere agilidade para a fabricação local dos equipamentos.

 

Preservação da água

A preservação da água, em especial da Bacia Hidrográfica do Vale do Taquari, foi abordada pela engenheira Florestal da Emater, Adelaide Ramos, presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica dos Rios Taquari-Antas. “A bacia abrange 120 municípios, sendo a maior do Brasil em termos de número de municípios, ocupando cerca de 10% do RS e somando 1 milhão e 300 mil pessoas. Nas análises da qualidade da água desta região, percebemos grande quantidade elevada de DBO (demanda bioquímica de oxigênio), o que demonstra o grande potencial da região em biomassa, que pode virar biogás, tanto de dejetos animais quanto agroindustriais”, explica a engenheira que conclui “os biodigestores promovem uma redução substancial de dejetos na água, sendo ainda uma estratégia econômica e rentável para a propriedade rural e industrias”.

 

Encaminhamentos

“Somos um dos três maiores estados produtores de carne suína e carne de frango do Brasil e com destaque na produção de carne bovina, além de sermos o segundo maior produtor de leite do Brasil, e também o segundo maior exportador de ovos; então, está mais do que comprovado, basta dar uma olhada no Atlas de Biomassa do RS, que temos uma potencialidade para produção de biogás a partir de resíduos agropecuários, que não está sendo utilizada”, diz Zilá.

Então, além de seguirmos articulados junto ao Governo, para uma ação continuada e conjunta, a fim de promover uma verdadeira alavancagem no setor, criando um programa específico para os Biodigestores e com Linhas de Créditos acessíveis, precisamos ampliar a conscientização do setor do agro gaúcho para estimular a produção de energia limpa a partir do biogás.

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